SE TÁ RUIM PARA NÓS, MEROS ELEITORES, IMAGINA PARA ELE: VIVER À SOMBRA DE BERTO SILVA E TER QUE PEGAR EMPRESTADA A PAISAGEM DE GUARAPUAVA
A política tem situações curiosas.
E às vezes a realidade consegue ser mais criativa que qualquer sátira.
Nesta semana começou a circular nas redes sociais uma peça publicitária da Prefeitura de Laranjeiras do Sul comemorando mais um passo para a instalação da Cooperativa Lar no município.
Até aí, tudo certo.
A chegada de investimentos, empresas e geração de empregos deve mesmo ser comemorada.
O problema começou quando alguns observadores mais atentos resolveram olhar além das letras garrafais e perceberam um detalhe um tanto quanto constrangedor.
A imagem utilizada para ilustrar a suposta paisagem de Laranjeiras do Sul simplesmente não parece ser Laranjeiras do Sul.
Pior.
Segundo diversos internautas, a fotografia aérea utilizada na arte se parece muito mais com Guarapuava do que com a Capital da Amizade.
E aí surgiu a pergunta que tomou conta dos grupos de WhatsApp:
"Será que até o marketing da Prefeitura desistiu de encontrar uma imagem bonita de Laranjeiras do Sul?"
É claro que a pergunta vem carregada de ironia.
Mas ela expõe um problema político maior.
Quando uma gestão precisa recorrer a imagens de outra cidade para vender a ideia de progresso local, alguma coisa está fora do lugar.
Imagine a cena.
A equipe de comunicação sentada diante do computador procurando uma foto para ilustrar as conquistas da administração.
Procura daqui.
Procura dali.
E alguém solta:
"Não tem uma foto melhor?"
E a solução encontrada teria sido buscar inspiração no quintal do vizinho.
Se a imagem realmente for de Guarapuava, o episódio vai muito além de uma simples falha de marketing.
Transforma-se numa metáfora involuntária do momento político vivido pela atual administração.
Porque existe uma verdade difícil de esconder:
Boa parte das grandes transformações estruturais de Laranjeiras do Sul nos últimos anos carrega a marca da gestão anterior.
Parque Industrial.
Investimentos privados.
Projetos estruturantes.
Expansão econômica.
Captação de empresas.
Muitas das bases foram lançadas muito antes da atual administração assumir o comando do município.
E talvez esteja aí o grande drama político.
Governar uma cidade já comparada constantemente ao legado de Berto Silva não deve ser tarefa simples
Cada obra é comparada.
Cada anúncio é comparado.
Cada investimento é comparado.
Cada promessa é comparada.
E quando os resultados próprios ainda não conseguem produzir uma identidade administrativa forte, surge um fenômeno perigoso: a gestão passa a viver permanentemente à sombra do passado.
Se está difícil para os eleitores lidarem com as comparações, imagine para quem precisa governar todos os dias sob esse peso.
Talvez por isso o marketing tenha decidido ampliar o horizonte.
Literalmente.
O problema é que, ao que tudo indica, ampliou tanto que foi parar em outra cidade.
A situação gerou risos, memes e comentários nas redes sociais.
Mas também produziu uma reflexão interessante.
Laranjeiras do Sul possui belezas próprias.
Possui identidade própria.
Possui história própria.
Possui imagens suficientes para ilustrar qualquer campanha institucional.
Por isso, se a fotografia realmente não pertence ao município, a pergunta permanece no ar:
Foi apenas um erro da agência?
Foi descuido da equipe de comunicação?
Ou até o marketing já está sentindo dificuldade para colorir de verde o cenário cada vez mais cinza da atual administração?
Uma coisa é certa.
Quando a população começa a reconhecer a paisagem do vizinho antes de reconhecer a própria cidade numa propaganda oficial, o problema deixa de ser apenas de fotografia.
Passa a ser de percepção.
E percepção, na política, costuma custar muito mais caro que uma simples imagem de banco de dados.
Enquanto isso, os grupos de WhatsApp seguem fazendo aquilo que fazem de melhor.
L
Rindo.
Porque uma coisa é usar a sombra de um antecessor.
Outra bem diferente é precisar usar a paisagem do vizinho.

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