quinta-feira, junho 04, 2026

Estagiário quer mexer na previdência municipal e ferrar os aposentados de Laranjeiras do Sul


Comissão da Previdência acende alerta em Laranjeiras do Sul: a conta vai sobrar para quem já pagou a vida inteira?


Quando o assunto é dinheiro público, parece que a criatividade da atual gestão de Laranjeiras do Sul não conhece limites.

A mais nova preocupação que circula entre servidores públicos e aposentados do município envolve a criação de uma comissão para discutir mudanças no regime próprio de previdência municipal. Segundo informações compartilhadas entre servidores, a proposta poderá resultar no aumento da idade e do tempo de contribuição para aposentadoria, além da possibilidade de retomada da cobrança previdenciária sobre aposentados e pensionistas.

Traduzindo para quem está em casa: quem já contribuiu durante 30 ou 35 anos poderá ser chamado novamente para ajudar a fechar a conta.

Uma conta que, curiosamente, não foi criada pelos aposentados.

A preocupação dos servidores cresce porque o município já enfrenta uma série de questionamentos administrativos e financeiros. Afinal, se a prefeitura encontra dificuldades para manter pagamentos em dia com alguns fornecedores — situação que já gerou reclamações e denúncias encaminhadas ao Olho Aberto Paraná — fica difícil convencer a população de que possui total controle sobre um dos temas mais sensíveis da administração pública: a previdência dos servidores.

Quem diria...

Se administrar contratos e despesas correntes já parece uma missão complicada, imagine administrar um fundo previdenciário que exige planejamento para décadas.

E o mais curioso é que, quando surge um problema, a solução aparentemente encontrada é fazer quem já pagou continuar pagando.

Enquanto isso, outro debate importante passa praticamente despercebido.

Nos últimos anos houve aumento significativo das contratações em regimes que não fortalecem diretamente o fundo previdenciário municipal, especialmente vínculos celetistas. O resultado é conhecido por qualquer estudante do primeiro período de Administração Pública: diminui a entrada de contribuições no regime próprio e aumenta a pressão financeira futura sobre o sistema.

Mas planejamento nunca foi exatamente o forte desta gestão.

Nada fora do normal.

Nada fora do contexto.

Como já virou marca registrada do governo municipal, a culpa provavelmente será do governo anterior, da legislação federal, da economia mundial, do clima, da oposição ou de qualquer outro fator disponível.

Porque em Laranjeiras do Sul existe uma regra que parece imutável:

A culpa sempre é do outro.

O que a população espera agora é transparência.

Existe déficit atuarial? Qual o tamanho?

Quais medidas estão sendo estudadas?

Quem elaborou os estudos?

Qual será o impacto para aposentados, pensionistas e servidores da ativa?

São perguntas simples e necessárias.

E já que o projeto, ao que tudo indica, deverá passar pela Câmara Municipal, fica aqui uma cobrança pública aos vereadores.

Até quando os senhores continuarão assistindo a tudo em silêncio?

Até quando vão permitir que problemas se acumulem sem a devida fiscalização?

Até quando um governo que não consegue sequer resolver demandas básicas da cidade continuará recebendo aprovação automática?

A população também começa a se perguntar se determinados apoios políticos estão sendo sustentados por convicção ou pela velha prática da acomodação em cargos e espaços de poder.

Porque o cidadão comum vê parentes, irmãos, esposas, sobrinhos e aliados ocupando posições estratégicas enquanto os problemas da cidade continuam se acumulando.

E a pergunta inevitável surge nas ruas:

É para isso que serve a política?

Laranjeiras do Sul precisa decidir se quer uma administração focada em resolver problemas ou apenas uma máquina ocupada em encontrar justificativas para eles.

Porque mexer na aposentadoria de quem trabalhou uma vida inteira é assunto sério demais para ser tratado com improviso.

E quando a conta chega, ela nunca é paga por quem criou o problema.

Normalmente, ela sobra para o servidor. E para o aposentado. Como sempre.


 

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