Por Cesar Minotto – Olho Aberto Paraná
A política tem uma característica curiosa: quando acontece algo bom, a corrida para aparecer na foto é imediata. Quando acontece algo ruim, começa a maratona para encontrar um culpado.
Em Laranjeiras do Sul, passados vários meses do temporal que atingiu a comunidade de Rio Bonito e deixou dezenas de famílias com prejuízos materiais e emocionais, também atingiu Laranjeiras do Sul - Comunidade da Vera Cruz, o assunto voltou ao centro do debate após uma manifestação pública da moradora Daiana Geteski.
O desabafo foi direto, sem rodeios e sem preocupação com a liturgia política que costuma cercar a administração municipal.
Segundo ela, o vendaval que atingiu a região danificou dezenas de residências, além de estruturas comunitárias, igrejas, escolas e pavilhões. O que mais revolta os moradores, porém, não seriam apenas os estragos causados pela força da natureza, mas aquilo que consideram uma ausência de resposta efetiva por parte da Prefeitura.
A crítica principal é direcionada ao prefeito Jailson Rodrigo Mendes.
De acordo com o relato, enquanto famílias tentavam reconstruir suas vidas, a presença do chefe do Executivo demorou a acontecer. E quando aconteceu, segundo os moradores, veio acompanhada mais de discursos e gravações para redes sociais do que de soluções concretas.
A publicação também resgata um episódio ocorrido em 2008, quando uma forte chuva de granizo atingiu o município durante a gestão do então prefeito Berto Silva. Na ocasião, centenas de residências foram atingidas e milhares de pessoas ficaram desalojadas.
Independentemente das diferenças entre os dois episódios, a comparação feita pelos moradores possui um objetivo claro: demonstrar que, diante de uma tragédia, a população espera ação rápida, liderança e capacidade de resposta.
E é justamente aí que mora o problema político para a atual administração.
Porque o cidadão comum pouco se interessa por justificativas técnicas, disputas burocráticas ou explicações sobre competência administrativa. Quem perdeu parte da casa quer saber quando virá a ajuda. Quem teve prejuízo quer saber quem vai resolver.
A pergunta que ecoa entre os moradores é simples: se existem recursos destinados à Defesa Civil e ao enfrentamento de situações emergenciais, por que as famílias atingidas afirmam não ter recebido o suporte esperado?
Até hoje não há uma resposta capaz de encerrar o assunto.
Enquanto isso, cresce a sensação de que a atual gestão se especializou em produzir explicações para os problemas, mas encontra dificuldade para apresentar soluções.
Não é a primeira vez que essa crítica aparece.
A população já reclamou da situação das ruas, da coleta de lixo, da saúde, do transporte de pacientes e agora volta a cobrar providências em relação aos danos provocados pelo temporal.
O que se percebe é um padrão preocupante: diante de cada problema surge uma justificativa diferente, mas raramente aparece um responsável disposto a assumir a condução da situação.
E quando a administração não responde de forma convincente, sobra espaço para o desgaste político.
Afinal, prefeito não é eleito para explicar por que não fez.
É eleito para fazer.
Sete meses depois, as famílias atingidas continuam esperando respostas.
E quanto mais o tempo passa, mais difícil fica convencer a população de que a omissão não existiu.
Porque a natureza pode até ser responsável pelo temporal.
Mas a reconstrução sempre foi responsabilidade de quem governa.

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