A culpa, desta vez, não é do ex-prefeito.
Não é do Governo Federal.
Não é do Governo Estadual.
Não é da chuva.
Não é do vento.
Não é do tornado.
A culpa é nossa.
Fomos nós que elegemos esta gestão.
E antes que algum defensor oficial do governo municipal apareça para repetir as desculpas de sempre, é preciso lembrar uma verdade simples: errar é humano. Permanecer no erro depois de tudo o que está acontecendo é burrice ou maldade.
Meses depois do tornado que atingiu a comunidade de Vera Cruz, no município de Rio Bonito do Iguaçu, as famílias continuam cobrando respostas, respeito e providências. Não estão pedindo favor. Não estão pedindo privilégios. Estão cobrando aquilo que qualquer cidadão tem o direito de esperar do poder público: presença, ação e responsabilidade.
Mas a resposta que veio da administração foi a mesma que a população já está acostumada a ouvir.
Ninguém passou fome.
Ninguém dormiu ao relento.
Como se isso fosse mérito da Prefeitura.
Não passaram fome porque tiveram familiares.
Não dormiram ao relento porque tiveram amigos.
Não ficaram abandonados porque tiveram vizinhos, igrejas e uma comunidade inteira que se mobilizou para ajudar.
Foi a solidariedade do povo que evitou uma tragédia ainda maior.
O que revolta os moradores não é apenas o que aconteceu durante o tornado. É o que aconteceu depois dele.
Ou melhor, o que não aconteceu.
As manifestações que continuam surgindo nas redes sociais mostram que o sentimento predominante é de abandono, omissão e falta de sensibilidade com quem perdeu telhados, teve casas danificadas e precisou reconstruir a própria vida praticamente sozinho.
Mas isso é comum em quem não sabe administrar.
Nada fora do normal.
Nada fora do contexto desta gestão.
Afinal, em Laranjeiras do Sul parece existir uma regra que virou política pública:
A culpa sempre é do outro.
Se falta remédio, a culpa é do outro.
Se a coleta de lixo gera reclamações, a culpa é do outro.
Se o transporte da saúde revolta os pacientes, a culpa é do outro.
Se moradores atingidos por uma tragédia cobram respostas, a culpa continua sendo do outro.
Menos da gestão.
Sempre menos da gestão.
Enquanto isso, os problemas se acumulam e as desculpas se multiplicam.
E os vereadores?
Onde estão os vereadores?
Até quando continuarão assistindo passivamente a tudo isso?
Até quando a fiscalização ficará apenas nos discursos bonitos das sessões da Câmara?
Até quando alguns parlamentares continuarão fechando os olhos para os problemas da cidade?
A população começa a fazer uma pergunta que já ecoa pelas ruas, pelas redes sociais e pelos grupos de WhatsApp:
Vale a pena tanto silêncio em troca de um ou dois cargos para familiares, parentes e aliados políticos?
Um cargo para o irmão.
Outro para a esposa.
Uma função para o sobrinho.
Um espaço para algum apadrinhado.
É isso que Laranjeiras do Sul merece?
Um cabide de empregos ou uma administração comprometida com a população?
A verdade é que o povo não elegeu desculpas.
Não elegeu vídeos para redes sociais.
Não elegeu notas de esclarecimento.
Não elegeu transferências de responsabilidade.
O povo elegeu gestores para resolver problemas.
Porque depois que a tempestade passa, as famílias continuam precisando de respostas.
E resposta não é narrativa.
Resposta é ação.
Infelizmente, até agora, o que mais se vê é uma administração especializada em explicar por que não fez aquilo que deveria ter feito.
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