quarta-feira, junho 17, 2026

DESGOVERNO DO ESTAGIARIO - QUANDO NEM A CONTA FECHA, COMO FICA O PLANEJAMENTO?

 

QUANDO NEM A CONTA FECHA, COMO FICA O PLANEJAMENTO?

“Meio Metro o Sarrafo Puxa” – Mas 13 Milhões de Diferença, não é pouco!

Uma publicação divulgada por lideranças políticas, rádios e redes sociais, anunciou que Laranjeiras do Sul já teria ultrapassado a marca de R$ 100 milhões em investimentos durante o ano de 2025.

O número impressiona. Mas uma análise mais detalhada da própria publicação levanta questionamentos que merecem esclarecimento público.

Somando os valores individualmente informados no texto, chega-se a aproximadamente R$ 80,89 milhões. Acrescentando o anúncio posterior de cerca de R$ 6 milhões para pavimentação nas comunidades de Faxinal e Vera Cruz Nova Lar, o montante alcança R$ 86,89 milhões. A conta, portanto, não alcança os mais de R$ 100 milhões divulgados.

A DIFERENÇA É SUPERIOR A R$ 13 MILHÕES. Trata-se de um simples erro de comunicação? Existem outros convênios não mencionados? Há recursos já garantidos que não foram detalhados na publicação? Essas perguntas precisam ser respondidas de forma objetiva pela administração municipal e pelas lideranças que participaram do anúncio.

Na administração pública, números não são apenas peças de propaganda. Eles representam compromissos financeiros, planejamento orçamentário, execução de obras e prestação de contas à população.

Outro aspecto importante é diferenciar aquilo que foi efetivamente executado daquilo que foi apenas anunciado.

Nem todo recurso anunciado está necessariamente disponível em caixa. Nem toda obra anunciada possui licitação concluída. Nem todo convênio anunciado possui contrato assinado. Em muitos casos, existe uma longa distância entre o anúncio político e a entrega efetiva para a população.

Por isso, o cidadão precisa saber: 

Quais obras possuem recursos efetivamente liberados?

Quais já possuem licitação concluída? 

Quais estão em execução?

Quais dependem de projetos, aprovações ou liberações futuras?

A transparência exige respostas claras.

A discussão não é contra obras. Pelo contrário. Toda obra que beneficia a população merece reconhecimento. O que se questiona é a precisão das informações divulgadas e a capacidade de transformar anúncios em resultados concretos.

A população de Laranjeiras do Sul tem o direito de acompanhar não apenas as placas, os discursos e as fotografias de lançamento, mas principalmente os contratos assinados, os cronogramas executados e as obras efetivamente entregues.

No fim das contas, a matemática continua sendo uma ferramenta importante de controle social. E quando os números divulgados não fecham, cabe ao cidadão perguntar.

E cabe ao poder público responder.

CADÊ VOCÊS VEREADORES DA FOTO DO 100 MILHÕES?

E a pergunta não deve ser dirigida apenas ao Poder Executivo. Ela também alcança os vereadores que participaram do anúncio e celebraram os números divulgados.

Afinal, quem responde perante a população quando os números apresentados não fecham? Quem fiscalizou os dados antes da divulgação? Quem conferiu os valores que estavam sendo anunciados?

A Câmara Municipal não existe apenas para aparecer em fotografias de lançamento de obras. Sua principal função constitucional é fiscalizar os atos do Executivo, exigir transparência e cobrar informações precisas da administração pública.

Se o município realmente ultrapassou a marca dos R$ 100 milhões em investimentos, a população merece conhecer detalhadamente quais são esses projetos, onde estão os convênios, quais recursos já foram formalizados, quais obras possuem licitação concluída e quais ainda permanecem apenas no campo das promessas.

Mais do que isso, a sociedade tem o direito de saber qual foi a participação efetiva de cada agente público na conquista desses recursos. O que foi resultado de articulação política? O que foi fruto de programas estaduais já existentes? O que decorreu de projetos técnicos elaborados pelo município? E o que ainda depende de aprovação ou liberação financeira?

A transparência não pode ser seletiva. Se os anúncios são públicos, os números também devem ser.

Porque credibilidade não se constrói com discursos, fotografias ou publicações em redes sociais. Credibilidade se constrói com documentos, contratos, obras executadas e resultados entregues à população.

E quando existe uma diferença superior a R$ 13 milhões entre o valor anunciado e a soma dos números apresentados, os protocolos feitos e liberados pelo Estado, a pergunta deixa de ser política e passa a ser matemática.

E contra a matemática não existe narrativa que resista.

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