segunda-feira, maio 04, 2026

Laranjeiras do Sul: Quando o oportunismo veste chapéu e tenta subir ao pódio alheio

Laranjeiras do Sul: quando o oportunismo veste chapéu e tenta subir ao pódio alheio

Há algo que o esporte ensina desde cedo: pertencimento não se improvisa. Ele é construído em quadras gastas, arquibancadas frias, viagens longas e, sobretudo, no apoio silencioso de pais, técnicos e patrocinadores que sustentam, ano após ano, a base esportiva de um município.

Em Laranjeiras do Sul, essa história não começou ontem. São décadas de dedicação, com atletas que carregam o nome da cidade no peito, muitas vezes com recursos escassos, mas com sobra de compromisso. Famílias que organizam rifas, empresários locais que ajudam como podem, treinadores que fazem mais do que sua função exige. Esse é o verdadeiro alicerce do esporte local.

Mas, ao que tudo indica, há quem enxergue nesse cenário uma oportunidade — não de contribuir, mas de aparecer.

Recentemente, surge em meio ao ambiente esportivo uma figura, no mínimo, curiosa: bota, chapéu e um discurso pronto, como se sempre tivesse feito parte desse universo. Uma espécie de personagem que tenta, a qualquer custo, se inserir em um contexto que claramente não lhe pertence — ao menos não historicamente.

Diante disso, fizemos o que o jornalismo responsável exige: buscamos fatos.

A pergunta foi simples e direta:

em que momento essa pessoa esteve presente na trajetória do esporte de Laranjeiras do Sul?

Consultamos atletas, ex-atletas, pais, dirigentes e pessoas que literalmente cresceram dentro de ginásios e campos do município. O resultado chama atenção pela unanimidade:

ninguém lembra.

Não há registro de presença constante em arquibancadas.

Não há memória de incentivo financeiro relevante.

Não há histórico de participação ativa em projetos esportivos.

E aqui não se trata de impedir novas pessoas de se aproximarem do esporte — isso seria pequeno e injusto. O problema não é chegar agora. O problema é querer reescrever a história como se sempre tivesse estado ali.

O constrangimento é evidente.

Para quem treinou no sol e na chuva.

Para quem representou a cidade em competições regionais e estaduais.

Para os pais que acompanharam cada jogo, cada derrota, cada conquista.

Essas pessoas sabem quem esteve presente. E, principalmente, sabem quem não esteve.

Por isso, deixamos o espaço aberto — com transparência e responsabilidade:

se alguém tiver registros concretos da atuação dessa figura no esporte local ao longo dos anos, que envie. Este espaço não se furta à correção. Pelo contrário, preza pela verdade, ainda que ela contrarie narrativas convenientes.

Até lá, fica o registro:

o esporte de Laranjeiras do Sul não é palco para figurantes de ocasião.

Quem construiu essa história não usava fantasia.

Usava suor.

Por César Minotto – Blog Olho Aberto Paraná

 

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