PACIENTES DENUNCIAM ÔNIBUS DA SAÚDE SEM BANHEIRO EM VIAGEM PARA CURITIBA; GESTÃO TENTA TERCEIRIZAR RESPONSABILIDADE
Uma publicação feita por uma moradora de Laranjeiras do Sul nas redes sociais trouxe novamente à tona o drama enfrentado por pacientes que dependem do transporte da saúde pública no município. O relato descreve uma viagem realizada durante a madrugada, em ônibus da Secretaria de Saúde, rumo a Campo Largo e Curitiba, sem banheiro disponível para os passageiros.
A denúncia gerou forte repercussão porque escancara uma realidade conhecida por quem depende diariamente do sistema público de saúde: idosos, pacientes em tratamento, pessoas debilitadas, mães, trabalhadores e cidadãos fragilizados pela doença sendo submetidos a horas de viagem em condições consideradas indignas.
Na postagem, a paciente afirma que “colocar pessoas doentes dentro de um ônibus sem banheiro para enfrentar horas de viagem não é apenas falta de conforto. É falta de humanidade”. E ela tem razão.
Quem conhece a rotina do transporte sanitário sabe que não se trata de turismo ou passeio. São pessoas enfrentando exames, consultas especializadas, tratamentos oncológicos, cirurgias e procedimentos de alta complexidade. Muitos saem de casa ainda de madrugada, sem alimentação adequada, ansiosos e debilitados física e emocionalmente. O mínimo esperado de uma gestão pública responsável é planejamento, respeito e dignidade.
Mas o que chamou atenção depois da repercussão não foi apenas o problema denunciado. Foi a tentativa apressada da administração municipal em empurrar a responsabilidade para terceiros.
A nota oficial divulgada pela Prefeitura de Laranjeiras do Sul, aparentemente elaborada pelos dois assessores especiais de imprensa da administração, os já conhecidos “Boboca e Bobão”, obviamente sob orientação do “patrão chapeludo” tentou direcionar a culpa ao prefeito de Marquinho e atual presidente da Assiscop.
Nada fora do padrão desta gestão. Em Laranjeiras do Sul, a culpa sempre é do outro. O detalhe que talvez tenha passado despercebido pelos estrategistas da comunicação oficial é que o prefeito Jailson Rodrigo Mendes não é um mero espectador dentro da estrutura da Assiscop. Ele ocupa atualmente o cargo de vice-presidente da Associação Intermunicipal de Saúde do Centro-Oeste do Paraná (Assiscop) para o biênio 2025/2026. Ou seja: não há como fugir da responsabilidade política e administrativa.
A Assiscop é um consórcio intermunicipal. E quem ocupa cargo de direção possui dever institucional de participação, fiscalização, cobrança e gestão compartilhada.
Também não adianta agora tentar transformar o ex-prefeito em escudo político para todos os problemas atuais da administração. Ex-gestor responde pelos atos praticados no seu mandato e deve ser cobrado pelo período em que esteve no poder. Mas quem ocupa hoje a cadeira da Prefeitura precisa assumir a responsabilidade pelos problemas que acontecem agora.
A população está cansada da velha narrativa do “na gestão passada também era assim”. E daí? Se estava errado antes, também continua errado agora.
Quem cobrava no passado tem o dever moral de continuar cobrando no presente. Fiscalização séria não pode ter lado político, nem depender de quem está sentado na cadeira do Executivo.
O povo precisa parar de agir como torcida organizada de político e começar a agir como cidadão. Político não precisa de fã-clube. Precisa de fiscalização, cobrança e limite.
Enquanto isso, os problemas seguem se acumulando em uma administração que até agora demonstra enorme dificuldade até mesmo para executar serviços básicos de manutenção urbana. Há ruas sem pintura, estruturas abandonadas, reclamações crescentes na saúde e um sentimento cada vez maior de abandono por parte da população.
E cabe aqui também uma cobrança pública ao Poder Legislativo. Até quando os vereadores irão assistir passivamente a esse tipo de situação?
Até quando o interesse político, os acordos de bastidores e a distribuição de cargos para familiares, irmãos, esposas, sobrinhos e aliados irão falar mais alto do que a obrigação constitucional de fiscalizar?
A população começa a questionar se parte da Câmara Municipal ainda exerce independência institucional ou se apenas se acomodou ao funcionamento de um grande cabide de empregos. Laranjeiras do Sul merece mais.
Pacientes não podem ser tratados como números em planilhas administrativas. Saúde pública exige gestão, responsabilidade e humanidade.
Porque dignidade também faz parte do tratamento.

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