domingo, março 01, 2026

Um dos maiores pesadelos dos apaixonados por carros antigos no Brasil











Um dos maiores pesadelos dos apaixonados por carros antigos no Brasil se concretizou em 2009: a valiosa coleção de veículos do Museu de Tecnologia da Ulbra, em Canoas (RS), foi desmantelada e levada a leilão, colocando fim a um dos maiores tesouros do antigomobilismo latino-americano.

Um acordo entre a Celsp, a Fazenda Nacional e a Justiça Federal selou o destino do museu. Antes mesmo do martelo bater pela primeira vez, a General Motors recolheu 70 carros que mantinha emprestados à Ulbra. Era o início de um triste desfecho que deixaria vazias as salas envidraçadas onde tantas histórias sobre rodas estavam guardadas.
As dívidas bilionárias da antiga gestão precisavam ser pagas. Professores esperavam salários, tributos deviam ser recolhidos, estudantes não podiam ficar sem aula. Mas usar o acervo do museu como moeda de troca foi uma ferida aberta na memória coletiva, um golpe no já frágil cuidado que o Brasil tem com seu patrimônio histórico e cultural.
As joias raras que antes encantavam o público agora dormem atrás de portões fechados, em garagens particulares. Pedaços de uma história que antes era compartilhada por todos hoje pertencem a poucos. Um Rolls Royce Limousine 1956, por exemplo, foi arrematado por R$ 250 mil, valor insignificante perto de seu valor simbólico.
Com mais de 270 veículos raros em exposição, o Museu da Ulbra figurava entre os dez melhores do mundo. Era, sem dúvida, o maior orgulho do antigomobilismo latino-americano. O Brasil, que já carece de espaços que guardem a história da tecnologia, perdeu mais do que carros antigos: perdeu a chance de manter viva uma parte importante de sua memória coletiva.

via Canoas mil grau

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