QUEM JULGA OS OUTROS?
A pergunta que fica no ar em Laranjeiras do Sul é simples: quem tem autoridade moral para conduzir uma sindicância dentro da Prefeitura?
O nome da vez é Jackson Franzoni, servidor que hoje integra estruturas sensíveis da administração municipal e atua em processos administrativos. O detalhe é que seu nome também aparece em um acórdão do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, que analisou irregularidades em contratações do município.
No Acórdão nº 1673/23 – Tribunal Pleno, o TCE-PR reconheceu falhas administrativas consideradas “erros não escusáveis”, aplicando multa ao então pregoeiro Jackson Franzoni e ao ex-prefeito envolvido no processo. Não se falou em dolo ou enriquecimento ilícito, mas o tribunal deixou registrado que houve impropriedades relevantes na condução do procedimento licitatório.
Agora vem a contradição que está dando o que falar nos corredores da Casa Branca de Laranjeiras do Sul.
O mesmo servidor hoje exerce funções de confiança dentro da gestão. Por portaria do nosso estagiário de prefeito, Jackson Franzoni foi designado para responder pelo Departamento de Material e Patrimônio, com poderes para controlar bens públicos, registros patrimoniais, alienações e veículos do município, recebendo Função Gratificada FG-08, a mais elevada da estrutura administrativa.
Resumindo: cargo de confiança, poder administrativo e participação em procedimentos internos que julgam outros servidores.
É justamente aí que começa a polêmica.
Servidores, principalmente os da Vigilância Patrimonial relatam forte pressão e abertura de procedimentos contra eles que não cabem. Exemplo, cuidar de bens de terceiros, ou seja, deixaram um som, um equipamento no pátio da prefeitura e ele seria responsável – todo mundo sabe, “bens de terceiros responsabilidade de terceiros”, o Vigilante tem que cuidar e cuidam bem do patrimônio público.
No campo institucional e moral, o debate é inevitável: uma comissão disciplinar precisa transmitir confiança, imparcialidade e credibilidade.
Quando um de seus integrantes possui registro formal de irregularidade administrativa reconhecida pelo Tribunal de Contas, mesmo sem dolo, tem função de confiança e recebe o maior abono por isso, surge um questionamento legítimo na opinião pública: há autoridade moral suficiente para julgar a conduta de outros servidores? Ou somente segue o que é mandado?
Outro ponto chama atenção. Dentro da própria estrutura municipal, o mesmo agente aparece acumulando funções administrativas sensíveis, como gestão patrimonial e atuação em procedimentos internos. Em qualquer administração pública madura, essa concentração de atribuições costuma acender um alerta sobre governança e controle institucional.
Enquanto isso, novos relatos começam a surgir envolvendo contratos, manutenção de veículos e aquisição de peças. Há também movimentações recentes em municípios da região que podem trazer desdobramentos. Isso mesmo, manutenção de veículos, ônibus, peças, irregularidades denunciadas. E o nosso fiscal de contrato quem é Jackson? Cadê os relatórios que a lei pede, esta tudo em ordem em dia.
Por enquanto, são informações que ainda precisam de apuração rigorosa. E principalmente que existe uma delação que corre em segredo de justiça e tem relação com peças, claro, em outro município Marquinho. Mas ai vem as perguntas. Qual a relação? O delator lá é parente ou tem relação direta com o vendedor de peça aqui? Ele realmente falou a verdade na sua delação? Ele vai falar ou falou algo sobre Laranjeiras do Sul?
E é exatamente isso que o Olho Aberto vai fazer, questionar e ir atras de tudo – peça por peça.
Porque quando o assunto é dinheiro público e poder dentro da máquina administrativa, uma coisa é certa: a história quase sempre tem mais capítulos do que a primeira versão conta.
A série continua.
E as próximas revelações prometem levantar ainda mais poeira em Laranjeiras do Sul.
Por Cesar Minotto




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