LARANJEIRAS DO SUL: INDICAÇÃO ENGAVETADA, VIDAS PERDIDAS E A ROTINA DA OMISSÃO
Tem coisa que não é falta de aviso. É escolha mesmo.
Enquanto famílias enterram seus mortos, a papelada segue seu curso lento, confortável e, ao que parece, indiferente. O caso do cruzamento entre as ruas Tiradentes e José Bonifácio, em Laranjeiras do Sul, escancara aquilo que muita gente já sabe, mas poucos têm coragem de dizer: quando o poder público demora, alguém paga a conta e, na maioria das vezes, paga com a vida.
A HISTÓRIA É SIMPLES, DIRETA E, POR ISSO MESMO, REVOLTANTE.
Em fevereiro de 2025, o vereador FERNANDO MATTEI protocolou a Indicação nº 105/2025, pedindo algo básico: a instalação de uma faixa elevada em um ponto crítico da cidade. Local, segundo o próprio documento, com grande circulação de pedestres, inclusive alunos de escolas.
O pedido tramitou, foi aprovado, seguiu o rito institucional. Tudo certo no papel.
Na prática? Nada. Absolutamente nada.
Mais de um ano depois, o cenário não mudou. Ou melhor, mudou: PARA PIOR.
Na última semana, um novo acidente. Dois veículos colidem. Um deles perde o controle, invade a calçada e atinge um senhor. Resultado: ÓBITO.
E aí vem a pergunta que ecoa nas redes sociais, nas famílias e nas ruas: ATÉ QUANDO?
Uma moradora, em desabafo público em suas redes sociais, resumiu o sentimento coletivo com precisão cirúrgica: “não se trata mais de estatística, mas de dor real, de famílias destruídas e de uma sensação constante de abandono”. Segundo ela, a solicitação por melhorias naquele trecho não é recente, vem sendo feita há anos.
Ou seja, não foi surpresa.
Não foi acaso.
Foi previsível.
E aqui entra o ponto que ninguém gosta de encarar: quando há ciência do risco e ausência de ação, deixa de ser apenas ineficiência, “PASSA A SER RESPONSABILIDADE”.
O mais curioso, para não dizer trágico, é que soluções existem e são conhecidas: redutores de velocidade, faixas elevadas, fiscalização, readequação viária. Nada disso é inovação tecnológica de outro planeta. É gestão básica.
Mas, em Laranjeiras do Sul, aparentemente, a prioridade não atravessa a rua.
Enquanto isso, a população segue fazendo o que pode: denuncia, pede, insiste, publica, cobra. E, quando nada acontece, lamenta.
A Câmara fez sua parte ao indicar. A comunidade fez sua parte ao alertar.
Fica a pergunta inevitável: QUEM NÃO FEZ A SUA?
E mais: quantas tragédias ainda serão necessárias para que um pedido simples deixe de ser um protocolo esquecido e vire ação concreta?
Porque, no fim das contas, não se trata de lombada, faixa ou radar.
Trata-se de algo bem mais básico: O VALOR QUE A GESTÃO PÚBLICA DÁ À VIDA DAS PESSOAS.
Por Cesar Minotto – Olho Aberto Paraná

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