LARANJEIRAS DO SUL
Perguntar não ofende… ou ofende?
Energia solar, Lago I e as perguntas que Laranjeiras do Sul merece ver respondidas
Em Laranjeiras do Sul, a regra parece ser simples: quando a obra aparece, a dúvida aparece junto. E, neste caso específico, ela veio em forma de placas solares — instaladas no Lago I — que, além de dividirem opiniões pela estética questionável, agora levantam questionamentos técnicos e administrativos que merecem explicação pública, transparente e documentada.
A pergunta inicial é direta: por que o sistema fotovoltaico foi instalado no Lago I, se, segundo informações técnicas que circulavam anteriormente (projeto da gestao anterior), a estrutura estaria prevista para o terreno ao lado do Laranjão?
A escolha do local não é apenas uma decisão estética. Em projetos de energia solar, fatores como incidência solar, facilidade de manutenção, segurança elétrica, custo de infraestrutura e integração com a rede são determinantes. Quando o local muda, o projeto precisa mudar junto — e isso precisa ser explicado.
A pergunta técnica que ninguém respondeu ainda
Outro ponto que levanta sobrancelhas: o sistema possui inversor instalado e em funcionamento?
Sem inversor, energia solar simplesmente não entra na rede elétrica utilizável. O inversor é o “coração” do sistema fotovoltaico. Sem ele, placas são apenas placas tomando sol.
A dúvida que fica é objetiva:
O sistema está completo?
Está conectado?
Está homologado?
Está gerando energia de fato?
Porque existe uma diferença gigantesca entre instalar placas e entregar um sistema funcionando.
E a pergunta que mexe no bolso público
Se o sistema foi executado conforme determina a engenharia elétrica — com todos os componentes instalados, testados e entregues — então existe outra informação que deveria ser pública:
Quanto de energia está sendo gerado?
Quanto está sendo economizado na conta de energia dos prédios públicos?
Existe relatório de geração?
Existe medição homologada junto à concessionária?
Energia solar não é discurso. É número. E número é fácil de mostrar quando existe.
Transparência não é favor, é obrigação
E aqui entra a pergunta que, dizem, “não ofende” — mas aparentemente incomoda:
Qual empresa forneceu o inversor do sistema?
Porque em obras públicas, cadeia de fornecimento é informação pública.
Fornecedor, contrato, especificação técnica, entrega e garantia — tudo isso precisa estar documentado e disponível.
Gestão pública não é teste, é responsabilidade
Laranjeiras do Sul não pode ser laboratório de improviso administrativo. Energia solar é tecnologia consolidada, com norma técnica clara, procedimento de instalação definido e exigências de homologação rigorosas.
Se tudo foi feito corretamente, ótimo — basta mostrar.
Se não foi, aí o problema não é de quem pergunta.
No fim das contas
Perguntar não deveria ofender.
Mas, historicamente, costuma incomodar quem prefere silêncio à transparência.
E aqui vai o resumo que o cidadão quer saber:
Onde deveria ter sido instalado e por quê mudou?
O sistema está completo e operando?
Está gerando quanto?
Está economizando quanto?
Quem forneceu o inversor?
Simples. Direto. Objetivo.
Porque dinheiro público exige resposta pública.
E, no jornalismo investigativo, a regra é velha, mas segue válida:
Quem não deve, não teme pergunta.
Por Cesar Minotto – Especial deste sábado para o Blog Olho Aberto Paraná


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