quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Quando o abandono mata: o caso do cachorro Orelha e o Projeto de Lei do deputado Geraldo Mendes que transforma indignação em ação


 Quando o abandono mata: o caso do cachorro Orelha e o Projeto de Lei do deputado Geraldo Mendes que transforma indignação em ação

A morte do cachorro Orelha, vítima de abandono e maus-tratos, comoveu o Brasil nos últimos dias. Mais do que um episódio isolado, o caso escancarou uma realidade dura e silenciosa: milhares de animais são descartados todos os anos em ruas, rodovias e áreas rurais — muitas vezes transportados em veículos até locais afastados, longe de testemunhas, onde ficam entregues à própria sorte.
Orelha não morreu apenas por um ato individual de crueldade. Ele representa um sistema que ainda trata o abandono animal como um problema secundário, apesar de seus impactos sociais, ambientais e de segurança pública.
É exatamente nesse contexto que ganha força o Projeto de Lei de autoria do deputado federal Geraldo Mendes, que propõe a alteração do Código de Trânsito Brasileiro para permitir a cassação da Carteira Nacional de Habilitação de condutores que utilizarem veículos automotores para abandonar animais, quando o crime for comprovado por flagrante, imagens ou auto de infração.
A proposta nasce da realidade das ruas e de casos como o de Orelha. Vai além de uma punição simbólica: ao atingir diretamente o direito de dirigir, cria uma consequência proporcional ao ato praticado e atua em duas frentes fundamentais — responsabilização individual e prevenção coletiva. Além disso, a cassação da CNH não substitui as penalidades já previstas na Lei de Crimes Ambientais, mas se soma a elas, fortalecendo um modelo mais rigoroso e completo de responsabilização.
Sob a ótica das políticas públicas, o projeto representa uma integração necessária entre áreas que historicamente caminham separadas: proteção animal e segurança no trânsito. Animais abandonados em vias públicas não apenas sofrem e morrem, mas também provocam acidentes, colocando em risco motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Ao comentar o caso do cachorro Orelha, Geraldo Mendes destacou seu envolvimento pessoal com a causa animal:
“Tenho um amor verdadeiro pelos animais e acredito que a forma como tratamos vidas indefesas revela o nível de humanidade da nossa sociedade. Não podemos aceitar que pessoas usem seus veículos para abandonar animais como se fossem objetos. Esse projeto nasce da indignação, mas principalmente do compromisso de transformar dor em ação concreta.”
Casos como o de Orelha mostram que a comoção nas redes sociais, por si só, não basta. É papel do Estado transformar indignação em políticas públicas efetivas. Iniciativas como a do deputado Geraldo Mendes representam um avanço civilizatório ao reconhecer que proteger animais também é promover segurança, educação social e respeito à vida.
A morte de Orelha não pode se tornar apenas mais uma estatística ou lembrança passageira. Ela precisa marcar um ponto de virada para o fortalecimento de leis mais firmes, ações preventivas e compromisso institucional contra o abandono.
Quando a sociedade cobra e o Legislativo responde com propostas concretas, abre-se um caminho real para que tragédias como essa deixem de se repetir. Porque justiça não é apenas punir depois — é criar mecanismos para que o abandono simplesmente não aconteça.

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