A LÓGICA DO “SUJO FALANDO DO MAL LAVADO”
QUANDO A CULPA É SEMPRE DO OUTRO EM LARANJEIRAS DO SUL
Entre discursos inflamados, notas oficiais e versões cuidadosamente maquiadas, Laranjeiras do Sul assiste a mais um capítulo da política local onde, curiosamente, ninguém erra — o erro é sempre do outro. No centro da discussão está o possível encerramento do projeto Laranjeiras Tecnológica, enquanto acusações sobre aluguel, relações pessoais e ética administrativa viram munição política em um roteiro já conhecido pela população.
Existe uma máxima antiga na política — e na vida — que diz: quem aponta um dedo, tem três apontando de volta. Em Laranjeiras do Sul, essa lógica ganhou versão municipal: a mítica eterna do “SUJO CONTRA O MAL LAVADO”.
Nos últimos dias, porta-vozes, ou pagos com dinheiro público ou com irmãos contratados em cargos comissionados, da Prefeitura vieram a público anunciar o possível fechamento de um dos projetos mais estruturados já implantados no município: O LARANJEIRAS TECNOLÓGICA. Entre os motivos apresentados, um ganhou destaque quase cinematográfico: o pagamento de aluguel para a suposta “namorada” do ex-prefeito, com valores classificados como exorbitantes.
EXORBITANTES PARA QUEM?
Porque, segundo avaliações de mercado informalmente citadas por profissionais da área imobiliária local, valores compatíveis com espaços comerciais estruturados não são exatamente novidade — principalmente quando falamos de imóveis com metragem, estrutura tecnológica e localização estratégica.
Aqui entra o primeiro ponto incômodo: O projeto, goste-se ou não, foi efetivamente concluído e colocado em funcionamento. Em tempos de obras eternas e placas que duram mais que gestões, isso já é quase um feito mitológico.
Mas vamos além do debate superficial
A pergunta que realmente importa não é “quem alugou de quem”, mas sim: Até onde relações pessoais podem impactar decisões administrativas?
E aí a conversa fica menos confortável.
Porque se o debate é ético, ele precisa ser completo. Não seletivo. Não sob medida. Não conforme o sobrenome envolvido.
A velha pergunta surge inevitável: É mais aceitável alugar de uma suposta companheira ou comprar de parentes diretos?
Sem entrar no mérito jurídico
Cabe à Câmara de Vereadores, órgãos de controle e Ministério Público — existe um consenso técnico na administração pública: quando o dinheiro público encosta em parentesco de primeiro grau, o risco jurídico e ético sobe exponencialmente.
E não é opinião.
É doutrina.
É prática administrativa consolidada.
Nos bastidores políticos, comenta-se sobre valores próximos a R$ 400 mil envolvendo operações ligadas ao debate atual. Legal ou ilegal? Não cabe ao blog afirmar. Cabe às instituições investigar. E devem investigar.
Porque se existe algo pior que erro administrativo, é erro seletivamente indignante — aquele que só vira escândalo quando muda o grupo político.
Os babao da prefeitura
Outro ponto que chama atenção é o comportamento dos chamados “porta-vozes oficiais”. Em tempos de rede social, nota oficial virou quase meme institucional. Fala-se rápido, acusa-se rápido e, às vezes, esquece-se de checar rápido.
Talvez falte menos marketing e mais estudo.
Menos narrativa e mais técnica.
Menos torcida organizada e mais responsabilidade pública.
O caso do Laranjeiras Tecnológica expõe algo maior que um contrato, um aluguel ou uma relação pessoal. Expõe o modelo político onde a culpa é sempre terceirizada — até o dia em que a lupa vira de lado.
Agora, os próximos capítulos devem vir das instituições de controle, que terão a responsabilidade de separar narrativa política de eventual irregularidade administrativa.
Para a comunidade, fica o impacto real
Projetos estratégicos não podem virar reféns de disputas políticas.
Nem de discursos seletivos.
Nem de moralidade sob encomenda.
E no fim das contas, talvez Laranjeiras do Sul precise menos de heróis de rede social e mais de gestores que entendam uma coisa simples: dinheiro público não tem ideologia — tem regra.
Por Minotto




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