terça-feira, fevereiro 03, 2026

LARANJEIRAS DO SUL - Desgoverno do ESTAGIÁRIO tem Dois pesos, duas medidas: quando o poder corre… e o servidor espera

 

Dois pesos, duas medidas: quando o poder corre… e o servidor espera

A Prefeitura mostrou, nos últimos meses, que quando quer, sabe ser rápida, eficiente e extremamente organizada. Em menos de seis meses, o plano de carreira dos cargos de chefia — aqueles com os maiores salários da máquina pública — foi cuidadosamente elaborado, tramitou sem obstáculos e foi aprovado com prioridade absoluta.

Já o plano de carreira dos servidores públicos, aqueles que mantêm a cidade funcionando todos os dias, caminha lentamente para 360 dias de espera, sem cronograma, sem votação, sem qualquer sinal concreto de aprovação.

Essa diferença de tratamento não é coincidência.

Ela revela uma escolha política.

Enquanto os chefes, diretores e cargos comissionados tiveram seus benefícios garantidos com agilidade, o servidor de base — o agente administrativo, o trabalhador da saúde, da educação, da limpeza e da segurança — foi empurrado para o fim da fila, tratado como se fosse um detalhe descartável.

A mensagem da Prefeitura é clara:

para quem manda, pressa; para quem trabalha, paciência.

Não se trata de falta de tempo, nem de dificuldades técnicas.

Se fosse, os planos não teriam sido reestruturados e aprovados em tempo recorde quando se tratava de quem já ganha mais. O problema é outro: prioridade.

E a prioridade, infelizmente, foi proteger os de cima enquanto se ignora quem sustenta o serviço público.

Essa prática cria uma distorção grave dentro da própria administração.

Os chefes têm carreiras organizadas, progressões garantidas e estabilidade financeira crescente.

Os servidores, por outro lado, convivem com salários defasados, insegurança profissional e um futuro que nunca chega.

Isso não é gestão.

Isso é desigualdade institucionalizada.

Uma Prefeitura que valoriza apenas seus altos cargos e ignora seus servidores está construindo um sistema injusto, frágil e moralmente falido. Não existe serviço público de qualidade sem trabalhadores valorizados. Não existe eficiência quando quem executa o trabalho é tratado como invisível.

Se houve tempo, vontade política e articulação para aprovar o plano dos chefes em menos de seis meses, também deveria haver para os servidores.

O que não pode continuar é essa lógica perversa onde os direitos dos que ganham menos sempre ficam para depois — ou para nunca.

Os servidores não pedem privilégios.

Pedem respeito, justiça e igualdade de tratamento.

E isso começa por uma pergunta que a Prefeitura precisa responder publicamente:

Por que o plano de quem ganha mais foi prioridade, e o de quem trabalha mais foi esquecido?

Por Leitora de olho aberto 

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