Dois pesos, duas medidas: quando o poder corre… e o servidor espera
A Prefeitura mostrou, nos últimos meses, que quando quer, sabe ser rápida, eficiente e extremamente organizada. Em menos de seis meses, o plano de carreira dos cargos de chefia — aqueles com os maiores salários da máquina pública — foi cuidadosamente elaborado, tramitou sem obstáculos e foi aprovado com prioridade absoluta.
Já o plano de carreira dos servidores públicos, aqueles que mantêm a cidade funcionando todos os dias, caminha lentamente para 360 dias de espera, sem cronograma, sem votação, sem qualquer sinal concreto de aprovação.
Essa diferença de tratamento não é coincidência.
Ela revela uma escolha política.
Enquanto os chefes, diretores e cargos comissionados tiveram seus benefícios garantidos com agilidade, o servidor de base — o agente administrativo, o trabalhador da saúde, da educação, da limpeza e da segurança — foi empurrado para o fim da fila, tratado como se fosse um detalhe descartável.
A mensagem da Prefeitura é clara:
para quem manda, pressa; para quem trabalha, paciência.
Não se trata de falta de tempo, nem de dificuldades técnicas.
Se fosse, os planos não teriam sido reestruturados e aprovados em tempo recorde quando se tratava de quem já ganha mais. O problema é outro: prioridade.
E a prioridade, infelizmente, foi proteger os de cima enquanto se ignora quem sustenta o serviço público.
Essa prática cria uma distorção grave dentro da própria administração.
Os chefes têm carreiras organizadas, progressões garantidas e estabilidade financeira crescente.
Os servidores, por outro lado, convivem com salários defasados, insegurança profissional e um futuro que nunca chega.
Isso não é gestão.
Isso é desigualdade institucionalizada.
Uma Prefeitura que valoriza apenas seus altos cargos e ignora seus servidores está construindo um sistema injusto, frágil e moralmente falido. Não existe serviço público de qualidade sem trabalhadores valorizados. Não existe eficiência quando quem executa o trabalho é tratado como invisível.
Se houve tempo, vontade política e articulação para aprovar o plano dos chefes em menos de seis meses, também deveria haver para os servidores.
O que não pode continuar é essa lógica perversa onde os direitos dos que ganham menos sempre ficam para depois — ou para nunca.
Os servidores não pedem privilégios.
Pedem respeito, justiça e igualdade de tratamento.
E isso começa por uma pergunta que a Prefeitura precisa responder publicamente:
Por que o plano de quem ganha mais foi prioridade, e o de quem trabalha mais foi esquecido?
Por Leitora de olho aberto
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