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LARANJEIRAS EM MODO CONFUSÃO: ANTI-PT NO DISCURSO, PRÓ-PT NA PRÁTICA?
MAURÍCIO OSVIANI, O “REI DAS DIÁRIAS”, AGORA SE DECLARA CONTRA RATINHO JR.
No tabuleiro político nacional, estadual e municipal, Laranjeiras do Sul parece jogar xadrez usando peças de dominó — cada uma caindo para um lado diferente. O prefeito Jaison “Estagiário” Mendes, eleito pelo União Brasil com um discurso firme, inflamado e eleitoralmente rentável contra o PT, hoje comanda um grupo político que flerta com alianças que fariam qualquer marqueteiro arrancar os cabelos.
Eleito no embalo do antipetismo – mesmo os membros do PT votando e o apoiando “secretamente”, Jaison Mendes subiu no palanque certo, no momento certo. Seu candidato ao Governo do Estado é declaradamente Sérgio Moro, com quem participou de eventos e manifestações públicas de apoio. Até aqui, tudo dentro do roteiro. O problema começa quando o discurso encontra a prática — e a prática resolve improvisar.
No cenário nacional, o Brasil segue polarizado. No Paraná, Ratinho Jr. tenta romper esse ciclo de extremos, mantendo ampla aprovação e construindo sua sucessão com Alexandre Curi, atual presidente da Assembleia Legislativa, como nome forte. Do outro lado, Sérgio Moro surge como alternativa da direita antipetista, mas também claramente anti-Ratinho. O desenho estadual está posto. O caos começa quando Laranjeiras entra em campo.
Na prática local, o grupo político do prefeito parece disposto a criar um fenômeno curioso — e arriscado: duas frentes políticas municipais atuando contra Ratinho Jr., cada uma puxando para um lado diferente, enquanto o eleitor tenta entender quem governa, quem faz oposição e quem apenas tenta sobreviver até a próxima eleição.
E é nesse cenário que surge mais um personagem central da confusão: Maurício Osviani, já conhecido nas redes sociais como o “rei das diárias da Prefeitura”. Agora, Maurício passa a se posicionar politicamente contra Ratinho Jr., com aval explícito — ou no mínimo silêncio conveniente — do próprio prefeito. A pergunta que ecoa nos bastidores é simples e incômoda: desde quando atacar o governador virou política oficial do Paço Municipal?
O movimento tem efeito colateral direto. O deputado federal Geraldo Mendes, principal representante de Laranjeiras do Sul em Brasília, assiste a mais um diretor estratégico da Prefeitura caminhar politicamente contra ele. Não é um rompimento isolado. É mais um sinal de desgaste interno, mais uma fissura em um grupo que já não fala a mesma língua — nem toca a mesma música.
Nas redes sociais, o eleitor resumiu melhor do que qualquer analista: “Quantos ainda vão virar oposição dentro do próprio governo?”
Outro comentário foi ainda mais cirúrgico: “Em Laranjeiras não existe direita nem esquerda. Existe cálculo.”
O que se desenha em Laranjeiras do Sul é a miniatura perfeita da política brasileira: discursos duros na campanha, alianças líquidas no poder e uma base eleitoral cada vez mais desconfiada. Resta saber se o prefeito seguirá fiel à bandeira antipetista que o elegeu, se dobrará a aposta contra Ratinho Jr. ou se continuará perdendo quadros e aliados pelo caminho — inclusive contra o próprio deputado federal da cidade.
Por ora, uma coisa é certa: a gestão municipal desafina mais um pouco a sua gaita. E o eleitor, desta vez, está ouvindo cada nota fora do tom.
Por Cesar Minotto – Blog Olho Aberto Paraná

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