DE LUCIANO BONFIM À DESPEDIDA SILENCIOSA DE VALMIR PANTIGAS
ENQUANTO CHOPINZINHO PREPARA O NEW CUP, LARANJEIRAS SE ESCONDE ATRÁS DO SLOGAN “ESPORTE PARA TODOS”
Por Cesar Minotto
Laranjeiras do Sul já viveu seus tempos áureos no esporte. Teve equipes, treinadores, projetos e resultados que ultrapassaram os limites do município e marcaram gerações. Hoje, infelizmente, o que resta são lembranças. O presente é um retrato pálido de um passado que foi abandonado pela atual gestão.
A Secretaria Municipal de Esporte transformou-se em um verdadeiro carrossel de escolhas questionáveis. Alguns passaram por ali sem saber exatamente o que estavam fazendo. Outros ficaram “presos” — literalmente presos — a interesses que nada têm a ver com política pública esportiva. Tudo isso é reflexo direto de uma gestão despretensiosa, frágil e claramente eleitoral do atual secretário de Esportes, Rodrigo Scheis, que parece mais preocupado em montar um time de cabos eleitorais para sua futura campanha a vereador do que em estruturar o esporte municipal.
Rodrigo, vale lembrar, não foi uma escolha técnica do prefeito Jaison Mendes. Sua nomeação foi uma imposição do chamado prefeito sem voto, Valmir Viola, figura que, nos bastidores, segue mandando mais do que quem foi eleito. O resultado dessa engenharia política é simples e visível: o esporte competitivo em Laranjeiras do Sul dorme em pleno mês de janeiro, enquanto cidades vizinhas avançam, planejam e colhem resultados.
Chopinzinho, por exemplo, prepara o New Cup 2026, a maior competição de base do Sul do Brasil, reunindo mais de 160 equipes de todo o país. Um detalhe que dói — e muito: esse evento nasceu aqui, em Laranjeiras do Sul, com o nome de Laranjeiras Cup, mas foi embora por absoluta falta de gestão, visão e compromisso. Hoje, floresce longe daqui.
Sob a sombra — ainda muito presente — do ex-secretário Rafael Nascimento e, mais ainda, do professor Luciano Bonfim, atual campeão paranaense de futsal, o contraste se torna cruel. Bonfim foi gestor de Alto Rendimento da Secretaria de Esporte e ajudou a desenhar um projeto sério, com planejamento, coerência e trabalho aplicado em todas as camadas das escolinhas municipais. Alimentou sonhos. Criou perspectivas. Deu identidade ao futsal local.
Já o atual secretário, que sequer conseguiu se eleger vereador pelo União Brasil — partido do senador Sérgio Moro e do próprio “Estagiário do Valmir Viola” — parece ainda não ter compreendido um dado básico da política local: os votos que elegeram Jaison Mendes vieram da rejeição a antigos grupos políticos, não de sua articulação pessoal.
Mesmo assim, trouxe para comandar o futsal de alto rendimento o nome de Valmir Pantigas, apresentado como reforço, com passagens pelo futsal paulista e promessas de novas oportunidades para crianças e jovens.
Pantigas não conseguiu se firmar. Não deixou legado. Não consolidou projeto. Mas seria injusto colocar toda a responsabilidade sobre o treinador. O problema não foi currículo. Foi gestão. Faltou suporte. Faltou estratégia. Faltou plano de trabalho. O que se viu foi um ensaio malconduzido, sem direção, sem continuidade e sem compromisso institucional. Sua saída foi silenciosa — como tudo que não deixa marca. Exatamente como acontece com quase todos que passam por esta gestão.
RODRIGO SCHEIS: A SAGA DO VEREADOR NÃO ELEITO
Para que não restem dúvidas sobre como se chegou até aqui, é preciso repetir: Rodrigo Scheis não era a escolha do prefeito Jaison Mendes. O nome técnico defendido era o do professor Mauro Provin, mais alinhado à realidade local e ao esporte de base. Mas o Estagiário do Valmir Viola, em sua eterna adolescência política, impôs sua confiança pessoal. Resultado? Rodrigo foi nomeado. O esporte virou refém de um projeto eleitoral.
E fica a pergunta inevitável: quem, em sã consciência, votaria novamente em alguém que desmontou o esporte da própria cidade?
O contraste fica ainda mais evidente quando se olha para fora. Luciano Bonfim, hoje técnico do Pato Futsal, uma das maiores equipes do Paraná e da Liga Nacional, segue acumulando títulos, respeito e reconhecimento. Entre 2019 e 2024, no Operário Laranjeiras, conquistou acessos, títulos e elevou o nome da cidade no cenário estadual.
Enquanto Bonfim avança em um projeto profissional e vencedor, Laranjeiras tropeça em improvisos. Hoje, o esporte de alto rendimento do município parece refletir o currículo esportivo do atual secretário: bom reserva, ótimo titular para jogo de várzea — mas completamente fora de lugar quando o assunto é gestão pública.
O ápice dessa tragédia administrativa é constatar que, enquanto aqui tudo dorme, Chopinzinho trabalha, planeja, executa e cresce. Com o New Cup, mostra exatamente o que Laranjeiras poderia ter sido — e não foi. E não é coincidência: o ex-secretário de Esportes de Laranjeiras, Rafael Nascimento, hoje é secretário de Esporte de Chopinzinho. Isso não é sorte. É planejamento.
O slogan oficial até diz “Esporte para todos”.
Na prática, serve apenas para discursos vazios e postagens em redes sociais.
Porque, no mundo real:
- Não se governa esporte com slogan.
- Não se constrói legado com improvisação.
- E não se compara currículo com auspícios.
Se Laranjeiras do Sul quiser, de fato, retomar sua tradição no futsal e no esporte de base, precisará reaprender com quem sabe fazer. Olhar para exemplos como Luciano Bonfim e Rafael Nascimento. Valorizar estrutura, planejamento e competência.
E, sobretudo, parar de tratar o esporte como trampolim eleitoral.

Nenhum comentário:
Postar um comentário