quarta-feira, junho 17, 2020

Superintendente da Saúde do RJ é preso em nova fase de operação contra irregularidades na compra de respiradores pelo estado

Carlos Frederico Verçosa Duboc (E), superintendente de Orçamento e Finanças da Secretaria Estadual de Saúde, foi preso em casa, em Niterói — Foto: Reprodução/TV Globo
A Polícia Civil e Ministério Público (MP) do RJ prenderam, na manhã desta quarta-feira (17), Carlos Frederico Verçosa Duboc, superintendente de Orçamento e Finanças da Secretaria Estadual de Saúde.

Também foi preso o empresário Anderson Bezerra.

É mais uma fase da Operação Mercadores do Caos, que investiga suposta fraude na compra de mil respiradores pelo estado para o combate à Covid-19.

Os equipamentos foram comprados emergencialmente e, segundo o MP, jamais foram entregues.

Duboc foi preso em casa, em Pendotiba, Niterói. Servidor do Município do Rio cedido ao estado desde janeiro de 2019, ele respondia a Edmar Santos -- secretário de Saúde exonerado pelo governador Wilson Witzel, diante das irregularidades -- e foi mantido na função por Fernando Ferry.

Cabia a Duboc autorizar despesas -- incluindo as de dispensas de licitação, como foi o caso dos respiradores.

A TV Globo apurou que ele foi acordado pelos policiais.

Bezerra foi preso no Andaraí, na Zona Norte do Rio.

Agentes saíram para cumprir ainda quatro mandados de busca e apreensão no Rio e outros cinco em Brasília -- todos expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada do Rio de Janeiro.

O G1 ainda não conseguiu contato com a defesa de Duboc e de Bezerra.

Sete presos
Além de Duboc, seis pessoas haviam sido presas em etapas anteriores da Mercadores do Caos:

Gabriell Neves, subsecretário de Saúde do estado, exonerado antes da prisão;
Gustavo Borges, que sucedeu Gabriell na pasta, exonerado depois da operação;
Aurino Filho, dono da A2A, uma empresa de informática que ganhou contrato para fornecer respiradores ao estado;
Cinthya Silva Neumann, sócia da Arc Fontoura, outra firma contratada;
Maurício Fontoura, controlador da Arc Fontoura e marido de Cinthya;
Glauco Guerra, representante da MHS, a terceira empresa contratada.

O MP afirma que o esquema fraudulento “desviou mais de R$ 18 milhões do Erário do Rio de Janeiro”.

“Passados mais de dois meses da data de entrega dos respiradores comprados emergencialmente, sem licitação, nenhum equipamento foi entregue pelas empresas, nem o dinheiro devolvido aos cofres públicos”, afirmou.

Equipamentos inservíveis
Os contratos, sem licitação, somaram R$ 183,5 milhões. O G1 mostrou que o governo pagou R$ 33 milhões adiantados às três empresas. Parte do pagamento adiantado ocorreu em uma hora.

Pagamento a empresas alvo de ação do MP
Nome da empresaValor do contratoPagamento adiantadoRespiradores compradosPreço unitário
Arc FontouraR$ 67.920.000R$ 5.094.000300R$ 226.400
A2A ComercioR$ 59.400.000R$ 9.900.000400R$ 148.500
MHS ProdutosR$ 56.268.000R$ 18.193.320300R$ 187.560
Total dos contratosR$ 183.588.000R$ 33.187.3201.000R$ 183.588
Via G1RJ

Nenhum comentário: