
A Operação Lava Jato, concentrada na Polícia Federal em Curitiba, corre sério risco com a falta de recursos, inclusive para gasolina nas viaturas que transportam os presos do presídio à Superintendência do órgão para depoimentos, delação e acareação dos envolvidos no esquema de corrupção que saqueou a Petrobras. A área de fronteira molhada do Paraná já está vulnerável à ação do tráfico de drogas e armas, com falta de manutenção dos motores dos barcos e gasolina que fazem a fiscalização. Várias delegacias foram fechadas por falta de pagamento de aluguel e os servidores estão sofrendo um surdo e mudo assédio moral com baixos salários com reajustes inferiores à inflação.
Os perto de 200 delegados lotados no Estado do Paraná estão, inclusive, participando de um “caixinha” voluntário de R$ 100 por mês para cobrir eventuais despesas emergenciais como conserto de uma máquina de reprografia, táxi para levar ou buscar documentos e até mesmo para recompor o valor de uma diária para viagem que está, hoje, em torno de R$ 200 e que não paga nem o valor do hotel. Como não houve renovação dos contratos com fornecedores e prestadores de serviços esse dinheiro serve até para um conserto de viatura.
O desmonte da Polícia Federal, orquestrado pelo próprio governo federal com cortes em orçamentos está sendo aprofundado agora, provavelmente em função das ações ostensivas contra a corrupção, envolvendo pessoas influentes dentro do próprio governo e políticos com poderes no Congresso Nacional. Embora essa retaliação vem acontecendo há anos, o primeiro sintoma que chocou a sociedade surgiu com a falta de pagamento da luz precisando, inclusive, do apoio da força tarefa da Lava Jato para solucionar o problema com a transferência de recursos devolvidos por parte de algumas empresas que respondem a processo de corrupção.
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