quarta-feira, julho 17, 2013

Justiça decreta prisão de 14 suspeitos de tortura, 10 são policiais civis

Pedido foi deferido em Colombo na tarde desta quarta-feira. Além das prisões, foram decretados dez afastamentos
A Justiça da comarca de Colombo decretou, na tarde desta quarta-feira (17), a prisão de 14 pessoas e o afastamento de 6 policiais civis, suspeitos de participação na tortura dos quatro rapazes acusados de envolvimento na morte de Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, no mês passado. Na tarde desta quarta, um policial militar e um agente da Guarda Municipal já se apresentaram.
Na última segunda-feira (15), O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Corregedoria da Polícia Civil haviam pedido a prisão de 15, mas um deles (referente a um policial civil) foi indeferido pela Justiça.
Entre os 14 acusados, há 10 policiais civis, um soldado da Polícia Militar, um auxiliar de carceragem, um guarda municipal e um preso de confiança.
Os mandados de prisão referentes aos 10 policiais civis serão cumpridos pela Corregedoria-Geral da Polícia. Os demais estão a cargo do Gaeco.
Entenda o caso
A adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, desapareceu no dia 25 de junho quando voltava da casa de uma amiga, nas proximidades de um parque de diversões, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O corpo da menina foi encontrado no dia 28 de junho (foto acima). Três dos quatro suspeitos, presos no dia anterior, confessaram ter estuprado e matado Tayná. Um deles não teria participado diretamente do crime. No mesmo dia, o parque de diversões foi depredado e incendiado por moradores da região.
No dia 2 de julho, a perita do Instituto de Criminalística, Jussara Joeckel, afirmou que a adolescente poderia não ter sido violentada, contrariando a tese inicial das investigações. Mesmo com as contradições, a Polícia Civil finalizou o inquérito no dia 5 de julho com a conclusão de que os quatro suspeitos estupraram e estrangularam a adolescente. Porém, no dia 9 de julho o resultado de exame de DNA indicou que o sêmen encontrado na calcinha da garota não é compatível com o material genético de nenhum dos quatro acusados.
Este laudo gerou uma mudança no comando da investigação policial do crime, que já contava, desde a conclusão do inquérito pela delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, com a participação do Ministério Público. O laudo também motivou uma visita da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR aos suspeitos, que relatavam que foram torturados pela polícia para confessar os crimes.
No dia 12, o MP afirmou que os indícios coletados relacionam os suspeitos presos ao crime. Mas, no dia 14, o promotor Paulo de Lima se manifestou em sentido contrário, afirmando que as provas presentes no inquérito não sustentam uma denúncia e pedindo a soltura dos suspeitos pelo crime. Nesse meio tempo, no dia 13, o até então advogado de defesa dos suspeitos presos, Roberto Rolim de Moura Junior, foi destituído, sendo substituído por Andrey Salmazo Poubel.
No dia 15, pela manhã, o ex-defensor afirmou que foi hostilizado durante o depoimento de seus então clientes na Sesp. No mesmo dia, durante a tarde, os quatro presos foram soltos e levados a um pouso provisório pelo Gaeco. Também no dia 15, foi feito o pedido de prisão preventiva de 15 policiais denunciados por supostas torturas ocorridas nas apurações da morte da adolescente. Nesta quarta-feira, 14 destes pedidos de prisão foram deferidos pela Justiça.
Delegado de Colombo promete se apresentar até sexta-feira
O Delegado Silvan Rodney Pereira, que estava à frente da Delegacia do Alto Maracanã à época da confissão dos quatro rapazes, garantiu nesta quarta-feira (17) que pretende se apresentar à Justiça “o mais rápido possível”. O delegado, que entrou em férias poucos dias após a confissão dos quatro acusados, afirmou estar fora da cidade, mas garantiu que pretende se apresentar, no mais tardar, até a próxima sexta-feira (19).
Pereira reafirmou que não houve prática de tortura na delegacia do Alto Maracanã e disse que continua convicto da culpa dos quatro acusados. “Quando os suspeitos confessaram o crime em Colombo, na coletiva de imprensa, não havia marca no corpo deles e nem qualquer outro indício de agressão, toda essa história de tortura só surgiu depois. Eles não foram coagidos a confessar a culpa”, afirmou Pereira.

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